terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A nova era

O primeiro post da "nova era" bombou de acessos, embora não tenha entrado um comentário sequer. Mesmo assim, recebi várias impressões das pessoas sobre o texto, então resolvi escrever mais um, para situar os velhos e novos leitores desse circo de horrores.

Relembro, caros leitores, que citei o fato de ter mudado de casa no outro post. Faz parte daquela estratégia antiga, citada aqui (http://solteirosemempregada.blogspot.com/2008/04/em-busca-da-nova-green-house.html) de dominar o mundo, digo... aposentar e viver de renda.

Pois é. Comprei a "green house" própria. Que vocês também já sabem que não é green. Ela é, digamos, bege. Eu sei que vão achar brega e antigo eu dizer que a casa é bege. Hoje existem nomes mais sofisticados para as cores. Dia desses, por exemplo, eu conheci a cor "nude". Que, imagino, refere-se à "nudez", ao fato de ser "cor da pele". Acontece que pele cada um tem uma. E eu não consigo conceber um nome de cor que, em cada caso, refere-se a uma cor diferente. Nude, no meu caso, por exemplo, é quase branco, em situação normal, quase vermelho, quando estou na praia, e quase marrom, quando volto de lá.

Mas voltando para a casa (como é bom voltar para casa!), ela é bege, bem maior do que o cubículo que eu morava, e mais distante de praticamente tudo. Exceto do Juscelino, que tem nome de jardineiro, mas nada mais é do que uma chopperia na orla da lagoa, e um dos locais que eu mais frequento quando o sol se põe.

Pois bem. Morar em uma casa maior tem poucas vantagens para um solteiro, sozinho e sem empregada. A maior delas é poder bagunçar os cômodos aos poucos. São três quartos, sendo que um eu transformei em escritório. Sobraram dois quartos nos quais coloquei camas de casal. Assim, se eu bagunçar demais um quarto e ficar com vergonha de receber alguém em casa, posso trancá-lo a sete chaves e fingir que meu quarto é o outro. E sair com essa: "Esse quarto eu nem abri ainda... Ainda vou montá-lo e nem vou abrir pois está empoeirado de obra e vai fazer você espirrar". Aliás, com o advento de dois quartos "gêmeos", tive que recolocar em ação a velha cama que deu origem a esse blog e cuja história foi contada no terceiro post da história desse espaço (http://solteirosemempregada.blogspot.com/2007/11/montagem-da-cama.html).

Outra vantagem da casa grande é poder alagar a lavanderia e deixá-la alagada até o outro dia. Na green house, a lavanderia era a varanda. A terceira é simplesmente mudar de cômodo quando estiver de saco cheio de ficar em casa em um fim de semana de chuva.

Mas é claro que há desvantagens. Quanto maior a casa, mais solteiro, mais sozinho e mais sem empregada você se sente. Principalmente pelo fato de os problemas se multiplicarem. Então, enfim, chego no objetivo do post. Contar algumas agruras que já passei aqui na nova casa.

Os problemas não começaram aqui. Vieram da green house. Aliás, vocês sabem que têm coisas que só acontecem comigo. A começar pelo fato de que eu combinei uma data para a mudança e ela só aconteceu em um outro dia. Isso pois uma figura lá da empresa que contratei confundiu as datas. Resultado: desmontei tudo, desliguei tudo, trouxe tudo o que era possível trazer no carro (em cinco viagens) para a casa nova e, após esperar 3h, descobri que o caminhão não vinha mais. Até o chuveiro eu já tinha trazido para a casa nova. Mas como a cama e os colchões seguiam na casa antiga, tive que tomar banho aqui e andar cerca de 13km para dormir lá.

O problema maior é que eu marquei a mudança para sábado justamente por saber que seria mais prático para que o caminhão encostasse e fosse carregado por móveis. Considerando que morava em plena rua da Bahia, tudo seria mais difícil em plena segunda-feira. Mas depois, como não tinha volta, relaxei e pensei: "problema deles se tiverem que parar o caminhão dois quarteirões para frente, carregando tudo nas costas".

Engano meu. Quem se ferrou fui eu. O caminhão não parou dois quarteirões distante. Parou do outro lado da rua apenas. Só que, com o trânsito infernal, os caras só conseguiam passar com os móveis a cada vez que o sinal fechava. Vocês não têm ideia de quanto tempo demora para que o sinal se feche, na rua da Bahia, e como ele abre rápido novamente. Ou seja: a cada vez que o sinal fechava, dava para passar com um móvel. Quando dava tempo de o cabloco voltar para o lado de cá do passeio, eu até comemorava.

E aí alguém vai dizer: "Mas que cara impaciente. Relaxa!". Aí eu respondo: "A mudança é paga em horas". E alguém vai lembrar a história do ferro de passar roupa do outro post... É. Levei ferro de novo.
Quando os caras chegaram aqui e sujaram toda minha parede recém-pintada, tentando passar com a cama box na horizontal, em vez de simplesmente virá-la, eu nem tive ânimo mais para reclamar. Retoquei a pintura da parede, com tinta que coloquei numa garrafa de coca-cola, para essas eventualidades. E, acreditem, ficou perfeito.

Mudança feita, eu não estava muito disposto a gastar. Quer dizer... Não é que eu não estava disposto. Eu não tenho é dinheiro mesmo. Comprar o apartamento (mesmo financiado) foi suficiente para eu falir completamente.

Mas se tem um dinheiro que gastei, por necessidade, foi com as persianas. Bonitas, até. Custaram cerca de R$ 2.000, o que eu achei um roubo. Mas são quatro. Uma gigante para a sala e três para os quartos. Duas delas eram bastante urgentes. A da sala e a do meu quarto oficial.

A da sala era a que mais me preocupava. E eu explico. Jogo boxe no Wii. É como exercício mesmo. Mas fico igual a um retardado, dando socos no ar e até comemorando as vitórias quando são suadas. E são sempre suadas. Com isso, vizinhos que têm razoável visão de minha sala deveriam ter a certeza de que eu era um retardado. Eu até posso ser, mas as pessoas podem, no mínimo, morrer com a dúvida.

A do quarto era fundamental não apenas para que eu tivesse escuridão suficiente para pegar no sono, mas para que eu não fosse acordado com um sol me queimando a perna todos os dias. E, tenho que confessar, mesmo com a persiana eu ainda sofro com isso. Em dias de calor, durmo com a janela aberta e, como venta demais por aqui, tenho que abrir também a persiana. Aí, no outro dia, às 7h da manhã, acordo sendo torrado por um sol que só acreditava existir ao meio-dia. Fecho a persiana e tento dormir. Só consigo quando a cama esfria novamente.

Falando em vento, é um grande problema. Se abro a janela, ele tenta destruir as persianas. Se abro só um pouquinho, ele bufa, fazendo barulhos de filme de terror. Dia desses meu pai dormiu aqui e eu teimava com ele que havia um caminhão subindo o morro de casa. Era "só" o vento na janela.

Mas o que ainda não aprendi a conviver aqui no prédio é com a situação do síndico. Nada contra o Jerismar. Gente finíssima até. O problema é que escolheram para ser síndico um cidadão que trabalha em uma empresa aérea. Ele é funcionário da Azul, por sinal a melhor companhia na atualidade. E aí, antes que vocês me perguntem: "mas o que tem uma coisa a ver com a outra?", eu explico. O cara nunca está aqui. Eu sei lá se ele é piloto, se é técnico de manutenção ou se ele se veste de aeromoça. Sei lá o que ele faz, mas o certo é que ele está sempre viajando. Na maioria das vezes, para Campinas, onde é a sede da companhia.

O dicionário diz o seguinte: Síndico = administrador do condomínio; cidadão escolhido para zelar pelo patrimônio de uma associação constituída. E aí eu pergunto: faz sentido escolher alguém que nunca está no local? É como escolher como babá a Amy Winehouse. Ou eu estou exagerando?

Mas como em Campinas também tem internet, peço desculpas ao Jerismar pela brincadeira. Se ele for leitor do blog, peço que desconsidere e lembre-se de que eu pago o condomínio rigorosamente em dia. Não fosse meus pagamentos, não seria possível nem colocar luzinha na árvore da entrada do prédio.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Um táxi para a estação lunar

Muita coisa mudou desde que escrevi meu último post aqui no blog. Mas se tem alguma que segue intacta é a vocação de um solteiro, sozinho e sem empregada para passar raiva e se meter em confusão. Então podem se preparar. Ou vão rir mais uma vez de minha desgraça ou vão chorar ao meu lado.
Antes da história, um aviso: não esperem que eu volte a atualizar o blog com frequência, pode até acontecer mas não farei o compromisso. A última coisa que quero agora é um novo compromisso... Pelo menos não desse tipo.
Pois bem, caros leitores. Eu estou de casa nova, a green house já faz parte do passado e agora minha vida é aqui no Castelo. Ainda preciso de um nome para a casa, mas, enquanto isso não acontece, minhas aventuras vão sendo contadas fora dela.
Meus reveillons não costumam ser perfeitos. Aliás, tirando um deles, todos os outros passaram longe de serem pelo menos bons. Meus natais são ótimos. Sempre em família. Meus reveillons são péssimos. No dia que eu chamar um de vocês para passar reveillon comigo, esqueçam. Está fadado a dar errado.
O deste ano não deu errado, propriamente dizendo. Ia tudo muito bem até o dia 2 de janeiro. Fui com o Diogo, a Aline e a Marcelle passar a virada do ano em Arraial do Cabo. Foi bacana, embora o sol só tenha aparecido nos dois primeiros dias. Troquei a cor "branco fantasma" por "branco escritório". Já é alguma coisa, né?
Marcelle comeu biscoito Globo no meu carro. Farelos pra todo lado. E cada um de nós fazia questão de jogar uma tonelada de areia no chão do veículo ao entrar. E eu nem aí. Parecia que já sabia que a limpeza do carro seria o de menos. Até porque, depois de tomar vinho quente e champagne na areia, enquanto sambava ao som de uma banda muito da sem vergonha, preocupar-se com a sujeira seria até paranoia.
No dia 2, nós saímos de Arraial às 10h. Era para ter saído mais cedo, não fosse o sono causado pelas fofocas que Aline e Marcelle contaram até 2h da noite anterior. Enquanto o Diogo já dormia há séculos, eu estava lá tentando pregar o olho e ouvindo os nomes mais bizarros de que já tive notícia. Para se ter uma ideia, o personagem principal de uma das histórias atende pelo singelo nome de "Corpo de Boi".
Foi um suplício sair de Arraial, depois de Cabo Frio, depois da região dos lagos, depois do Estado do Rio. Engarrafamentos para todo o lado. Carros lentos, gente com o pé para o lado de fora da janela dos outros carros, deixando claro que era melhor tentar descansar de qualquer jeito pois a viagem seria longa.
Nada como a Serra de Petrópolis para acabar com o stress. Aquele clima perfeito, a pista recheada de curvas, a subidinha no meio da mata. Aquilo é uma pista de jogo de corrida no video-game. Perfeita para dirigir. Subi a Serra sorridente. E nem mesmo aquele funk safado que a Aline achou em uma rádio local tirou meu humor.
De Petrópolis a Juiz de Fora a estrada é perfeita. De Juiz de Fora a Belo Horizonte piora, mas não é nenhuma porcaria. E com a vantagem: conheço bem, afinal é o meu caminho nos últimos 4 anos e pouco...
Só que já eram 20h, chovendo e, na saída de Juiz de Fora, encontrei um carro freando bruscamente no quebra-molas em frente ao posto da Polícia Rodoviária Federal. Bem no momento em que eu e Aline cantávamos que "apenas apanhei, à beira-mar, um taxi para a estação lunar". Eu vou te falar que quase a gente passa dessa tal da estação e sobe mais um pouco viu. Depois que eu bati na traseira de um Golf e consegui até o milagre de acordar o Diogo, que dormia calmamente no banco de trás, nós paramos de cantar. Só o som do carro permaneceu. Uns 20 segundos, até um cara mais idiota do que eu bater na traseira da gente, com muito mais força e quase jogaros quatro ocupantes para fora do carro. Quer dizer, quase jogar a Aline, que, àquela altura, já tinha tirado o cinto com medo do Peugeot Passion explodir. Na verdade quando saímos nem era mais um Peugeot Passion. Esmagado na frente e atrás, meu carro mais parecia um novo Uno. E justiça seja feita: eu também achei que aquela porcaria ia explodir de tanta fumaça que saía do capô.
Pelo menos escolhemos um bom lugar para bater. Em frente ao posto da Polícia Rodoviária Federal. Ali, tinha duas unidades de resgate prontas para nos atender. Eles fizeram o resgate mais rápido da história. Só precisaram atravessar a ruapara encontrar a Marcelle com o joelho doendo e a Aline preocupada por conta da pancada que deu com a cabeça no vidro. Ainda acho que foi no painel, que amassou. Mas ela nega, talvez para não pagar o prejuízo.
Sei que a Aline entrou bem dentro do resgate e, minutos depois, já estava lá totalmente imobilizada. Acho que colocaram esparadrapo até na boca da coitada, para que ela não dissesse que estava bem. E o Diogo ficou espantado: "Ela entrou bem e agora está assim? O que fizeram com ela?"
E enquanto, de sirene ligada, as meninas iam para o HPS de Juiz de Fora, eu e o Diogo ficamos lá esperando o guincho, o táxi do seguro e o fechamento da ocorrência. A ocorrência nem fechou naquele dia, mas a polícia me deu um papelzinho com o número da comunicação e alguns dados, para que eu pegasse depois pela internet.
Foi quando um simpático cachorro avançou em minha mão para tentar comer os dados da ocorrência. Aí é que está, caros leitores. Tem coisas que só acontecem com um solteiro,sozinho e sem empregada. Bater acontece com todos. Fazer ocorrência, esperar guincho, táxi, acontece com todos. Sentir dores no pescoço, no joelho e nos tornozelos por três dias acontece com todos. Ter os dados da ocorrência comidos por um cachorro de rua que mora do lado de um posto da polícia rodoviária federal no meio do nada só acontece com um solteiro, sozinho e sem empregada.
Eu nem sei que horas eram quando passamos no HPS para pegar a Marcelle e a Aline. Por sorte (e eu ainda acho que tenho sorte) a batida foi na saída de Juiz de Fora, minha verdadeira casa. Dormimos por lá e só viajamos de volta para Belo Horizonte no outro dia.
Aí vocês vão achar que o drama acabou. Esquecem que falamos de um solteiro sozinho e sem empregada. A batida na traseira do carro esmagou o porta-malas e, com isso, não era possível abri-lo. Nossa bagagem ficou lá e nem o banco rebatia para tirar. Dormimos e viajamos de volta para BH sem bagagem. Só foi possível recupera-la no outro dia, no fim da tarde, na oficina para onde o carro foi levado.
E aí você me pergunta: que mal tem ficar sem a bagagem por um dia? Considerando que sou um solteiro, sozinho e sem empregada... tudo. A começar que fiquei sem meu laptop. E sem o modem 3G que eu ligo internet em casa. Não tenho internet a cabo na casa nova ainda. Também fiquei sem o carregador do celular. E, é claro que, sendo um solteiro, sozinho, sem empregada e azarado, a bateria ia acabar. Fiquei sem pente e, pasmem, sem ferro de passar roupa. Aí você me pergunta: por que motivo esse idiota levou um ferro de passar roupa para a viagem na praia. E eu sei? Não usei, mas levei. E ainda tenho que aguentar as piadinhas: "nossa, mas você levou ferro mesmo". Levei.
Fiquei um dia sem celular e sem internet. Mas considerando que moro sozinho e não tenho telefone fixo, estava incomunicável. Não podia passar a noite assim e, por isso, resolvi que ia comprar outro carregador de celular quando chegasse a BH. Só que um outro acidente na estrada causou um engarrafamento, nosso ônibus atrasou, chegou depois que o comércio do centro de BH já estava fechado e, com uma chuva dos diabos (meu guarda chuva eu esqueci no táxi da seguradora) fiquei com poucas opções para comprar o tal carregador. Resultado: andei por lojas da rodoviária procurando qualquer um que tivesse e encaixasse no celular da Nokia.
Veja: eu não tenho dado muita sorte com celulares. Meu Iphone foi roubado, um Scarlet da LG deu problema no touch, um motorola estourou a tela de cristal líquido e agora estava eu com o meu Nokia sem bateria. O menor dos problemas não fosse a porcaria do carregador universal que achei para comprar na rodoviária. Não confiei muito mas, por oito reais, e sem opções, levei aquele lixo para casa. Aquilo não só não carregou a bateria do celular como ainda deve tê-la estragado, pois, agora, ela não carrega de nenhuma maneira. Nem mesmo com o carregador original, que resgatei da mala. Ou seja: mais um celular fora de serviço.
Para piorar, enquanto deixei a bateria carregando, deitei e cochilei. Quando acordei, já passava a meia noite. Eu não tinha avisado minha família que tinha chegado, ninguém sabia se eu estava bem, se eu não estava e eu não tinha telefone nem para pedir comida. Passei a noite com fome e acordado, já que meu celular é o meu despertador. Se eu dormisse, não acordava nem para trabalhar no outro dia.
Às 5h, fui para a rua procurar um táxi. Desci para o centro, comi um pastel e um caldo de cana na rua da Bahia e fui caçar algum lugar para comprar um celular. Acreditem: às 6h30 da manhã, achei uma lojinha do lado da rodoviária, que vendia celulares e estava aberta!! Comprei um por 100 reais. E mais 10 reais do carregador. Uma porcaria. O pior celular do mundo. Nele, o plural de "Perfil" é "Perfils". Pra vocês terem uma ideia...
Minha vida ainda não voltou ao normal. O novo Uno, digo o Peugeot Passion, segue parado na oficina referenciada pela seguradora. Deram 4 opções. Não conhecia nenhuma. Escolhi a que tinha o nome mais bonito. Aliança Veículos. Mas não tocaram no carro ainda, exceto para tirar as malas. A seguradora não sabe dizer o motivo. E eu vou gastando 60 reais de táxi todos os dias para sair aqui do Castelo e ir trabalhar lá na Cidade Industrial de Contagem. A seguradora não sabe o que acontece. Mas essa é outra história, que não tem graça nenhuma...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Nota oficial

Eu prefiro ser feliz em BH do que chorar em Paris. E o orgulho de plantar na terra seca à culpa por ter o solo mais fértil em minhas mãos. Prefiro o amigo que me vier com a verdade do que a legião que a política me puder comprar. E troco fácil a sociabilidade pela educação. Ficarei feliz se meu destino final for exatamente o lugar de onde eu vim. Pois sei que é possível voltar ao ponto de partida sem encontrar uma pegada sequer. Não é a direção que eu tomo que mede a distância de meus aprendizados. Eu sou o filho do vendedor de porta em porta, que se aplaude ao voltar sem nada na mão. Mas também de quem não sabia vender, por querer dizer a verdade à revelia da história que mandavam contar. Não é pobreza, mas certos preços eu não posso pagar. Não espere que eu lhe faça pecar por mim, pois a paciência que me falta não muda os conceitos que aprendi. Minha verdade permanecerá, mesmo que minha coragem termine no seu direito de dizer não.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

O dia em que eu acabei com a piscina da minha lavanderia

Comentário do Ricardo: Minha gente: o blog do Solteiro, Sozinho sem Empregada está de volta e hoje vive um momento inédito. Pela primeira vez na história, aceitamos um post colaborativo. Trata-se de texto escrito pela Ana Clara Otoni, que conta suas agruras em sua casa. Prestem atenção em como a vida não é difícil apenas na green house. E confie no que ela disse sobre o veda rosca. Se você esqueceu, lembre-se deste post que fala sobre o importante item (http://solteirosemempregada.blogspot.com/2007/11/hoje-histria-curta-pois-o-tempo-curto.html).

E desconsidere a última frase do texto dela. :)


O dia em que eu acabei com a piscina da minha lavanderia
* Por Ana Clara Otoni

Sou uma moça sozinha (embora more com mais duas meninas), solteira (com o namorado a 586 KM de distância) e sem empregada. Ou seja, não sou tão sozinha assim, nem solteira, mas o fato que interessa mesmo é que passo perrengues semelhantes, senão, piores que os do meu amigo Ricardo Corrêa. 
Depois de passar meses esquentando a barriga no fogão durante todos os dias úteis fazendo brigadeiros para vender na faculdade, finalmente, consegui juntar dinheiro para comprar a máquina de lavar da república. Na ocasião, contei com os trabalhos braçais e de comerciantes de outras duas rommattes. Mas, porém, todavia, contudo, o caso que venho contar não tem nada a ver com essa máquina. Até porque eu a perdi no jogo. Não, eu não sou viciada em drogas, tampouco em bingo de domingo da Afonso Pena. Mas com a saída das duas meninas que moravam comigo na república, eu perdi a máquina em um sorteio. Foi quando dei, talvez, o passo mais importante da minha vida: comprei a minha própria máquina de lavar. Que alegria imensa! O que senti se assemelha a isso aqui.
Bem, sem mais delongas...deixe-me contar a história que interessa. 
Com a chegada da máquina nova, fiz a instalação dela todinha...
Até aí, tudo bem. O problema mesmo foi a torneira que sai da área de lavar, que começou a pingar freneticamente, como que se rebelasse contra a nova parceira de cômodo, ou como que apontasse o seu desgaste de três décadas. (bem, isso é um exagero, mas a torneira já estava bem capenguinha mesmo). 
Depois de umas três meses de enrolação, finalmente, comprei a torneira nova para trocar. 
Foi quando começou o pesadelo. Para quem, como eu, não sabe, existem dois tipos básicos de torneiras a de 3/4 e a de 1/2. 
Eu sabia que a da minha lavanderia tinha uma entrada grossa, mas não me atentei para essa medida específica até chegar à loja de suprimentos eletrônicos e domésticos do meu bairro. 
Era um sábado ensolarado e não era uma boa ideia acabar com a piscina doméstica que a minha área de lavar tinha se transformado, mas eu precisava aproveitar a presença do meu namorado em BH para fazer o conserto da torneira. 
O moço da loja me explicou que, por eu morar em um prédio mais velho, era mais provável que a medida da torneira fosse a de 1/2. E que, caso não fosse, era só eu comprar um adaptador que daria certo depois. 
Comprei a torneira, e saí pela rua feliz e saltitante.
Chegando em casa, pedi ao meu namorado para trocar a torneira para mim e descobrimos que eu havia comprado a medida errada. E era  óbvio que, o moço não trocaria uma torneira já aberta do pacote. Então, perdi a chance de contar com o meu prestativo namorado, pois, na semana seguinte, ele já não estaria em Belo Horizonte.
Pedi que uma das meninas que moram comigo para comprar o tal adaptador. 
Depois de uns três dias, fui fazer o serviço. 
Torci o cano e a torneira até que eles saíssem na minha mão. 
Desenrosquei a torneira do cano, coloquei o adaptador e encaixei a torneira. YES! Tinha dado certo, pelo menos o encaixe foi perfeito. 
Porém, quando chegou a hora de juntar a torneira com a mangueira da máquina, percebi que havia alguma coisa errada. 
Constatei que haviam três peças da torneira sobrando, e, como diria o veterano desse espaço, não é um bom sinal quando sobram peças em alguma instalação. 
Então, percebi que na verdade não eram três peças, mas duas. Uma delas era a rodinha do refil da veda-rosca, mas eu JURO que parecia uma peça para encaixar torneiras. 
Fui novamente à loja e expliquei o meu problema pro moço. 
Ele me fez comprar mais um adaptador, uma veda rosca e uma resistência para o chuveiro. Pois é, uma resistência para o chuveiro. Nada a ver com a máquina, eu sei. Mas ele disse que talvez seria esse o problema que comentei sobre o cheiro de queimado e depois a água fria no chuveiro da minha casa. 
Mais uma vez, voltei para casa feliz e saltitante, cantarolando pela rua e sorrindo para os passarinhos....
Cheguei na área de lavar decidida. Tomei o cano com a torneira nas mãos e torci, torci, torci e torci para desenroscar os dois e nada. 
Bati no vizinho e pedi um alicate emprestado. Ele me disse "esse é daqui eu peguei emprestado do prédio mesmo, quando terminar devolve para o porteiro". Ok, sem problemas. 
Ou melhor, com problemas. Eu não conseguia desenroscar o cano que eu mesma tinha enroscado na torneira nem com reza brava. 
P da vida, fui até a portaria e pedi para o porteiro me ajudar. Ele também torceu, revirou a cara, pôs mais força e nada. Disse apenas "É, acho que essas peças estão coladas, viu". E eu expliquei que não, que tinha sido eu mesma a encaixar as duas coisas e que agora estava muito firme para soltar. Ele soltou um: "Foi você mesma quem encaixou isso aqui? Minha Nossa Senhora!!!"
Finalmente, o porteiro conseguiu desenroscar os dois objetos. Ele ainda me deu um conselho "você precisa daquele negócio, é, é, é...teflon". 
Eu: - "Ah, veda-rosca, né? Sim, sim...eu já comprei". 
OU SEJA, todo o problema deveu-se ao fato de eu não ter usado a bendita veda-rosca no encaixe do adaptador com o cano. 
Já no meu apartamento, não tive mais problemas. Encaixei um adaptador no cano, o outro na torneira e um terceiro na máquina de lavar e pronto!
A minha máquina de lavar estava prontinha para receber uma trouxa de roupas e isso não significaria mais "tarde na piscina da lavanderia". 

Então, vamos lá, o que aprendemos com esse post:

> As medidas mais comuns de torneiras são 1/2 (mais fina) e 3/4 (mais grossa). Quando for trocar uma torneira, verifique qual é a espessura do cano da sua casa. Tem sempre marcando na saída do cano. Assim, você evita todo o transtorno que eu passei. 
> Tenha sempre veda-rosca em mãos. (não isso não é um trocadilho infame) Veda-rosca é aquela fitinha branca que você passa nas extremidades da torneira e dos canos para fazer a ligação de um com o outro. Há pessoas que a chamam de teflon, embora eu só conheça um tecido com esse nome, enfim... 
> Nunca faça as unhas à noite e vá consertar a torneira da máquina de lavar pela manhã. (sim, é óbvio, estúpido, mas eu fiz...)
> Compre um alicate. Assim você evita ter que mobilizar o prédio inteiro atrás do equipamento pra você. Ok, no meu caso foi só o porteiro e o meu vizinho, mais ainda assim é chato. 
> Não é normal cheiro de queimado saindo do chuveiro. Você pode estar precisando de uma resistência nova. 
> Sempre desconfie de um cara que mora numa "green house".

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Solteiro, sozinho, sem empregada e com alergia!

Eu estava dizendo pros meus amigos do Twitter (sim, agora sou um twitteiro ativo): morar sozinho é ruim nessas horas. Você morre, ninguém fica sabendo e a turma do Twitter ainda diz: "ih, óh... twitteiro de modinha, já desistiu. Tem dias que ele parou de postar".
Pois é, minha gente. Eu digo isso pois estou com uma alergia das bravas aqui hoje. Minha alergia, não sei se já comentei, é daquelas que duram um dia só, mas quase me mata. Espirro de 1 em 1 minuto, meu olho arde, sai lágrima, o nariz não dá trégua... O problema é que, em cinco dias, tive duas dessas. Isso na última semana das férias, pra aumentar o drama.
Pois é, caros leitores, ser sozinho, solteiro, sem empregada e, ainda por cima, com alergia, não é fácil. Tinha três anos que não tomava remédio, mas tive que me render. Sugestões da Clarinha e do Marcelo, lá fui eu comprar um remédio pra alergia. Fui na Araujo. E aproveitei pra comprar açúcar (descobri que não tinha açúcar ao tentar fazer uma vitamina de abacate hoje cedo). Isso mesmo, caro leitor. A Araujo vende açúcar! Pra quem não é de Belo Horizonte vou explicar: se BH entrar numa guerra, a primeira coisa que o inimigo vai fazer é bombardear as unidades da Araujo para acabar com os suprimentos da cidade. Até arma deve vender lá. E pra completar, os belorizontinos vão se render quando as tropas inimigas tomarem o mercado central.
Pois é, caríssimos. Fui lá comprar o antialérgico. Marcelo sugeriu o Desalex. A Clarinha sugeriu o Allegra. Mas como o Marcelo disse que o Desalex era instantâneo eu optei por ele. Caríssimo. Custa 33,30 com 10 comprimidos de 5mg (imagina o tamanho) cada um. Pois é... Cada comprimido custa 3,33 (mais caro que uma cerveja como diz o Marcel Angelo: "deve dar uma onda do caramba", disse ele).
Pego o remédio e vou ler a bula. Queria saber logo as contra-indicações. E lá estava escrito: "Não utilize Desalex se você já teve algum tipo de ALERGIA a um dos componentes da fórmula do produto". Pera aí, o remédio não é justamente para ALERGIA? Quer dizer que se eu tenho alergia eu não posso tomar? Tomei!
Deve ter uma hora e meia que eu tomei o único comprimido do dia. Diz que só pode tomar um por dia. E não resolveu nada ainda. E essa ida na farmácia ainda foi ruim para minha auto-estima. Desci com cara de sofrimento, espirrando, com o olho pequeno, nariz vermelho e, claro, não poderia ser bem recebido por onde passei. A mulher da farmácia arregalou o olho pra mim. Quase perguntou: "O que esse menino doente tá fazendo aqui?". Filha, a Araujo é uma farmácia. Não parece, pois vende açúcar, suco de soja, barra de frutas, pão de forma e jornal. Até mascote de plástico do Cruzeiro e do Atlético tem aí. Mas é uma farmácia!
Enfim, voltei feliz (ou o mais feliz possível) com as sacolinhas da Araujo. Ao adentrar o hall de entrada do prédio, (Tá bom, é só uma portaria vagabunda...) o porteiro pegou minhas correspondências e não quis entregar. Largou em cima da mesa e disse que ia tomar um cafezinho. Achei estranho...
Uma das correspondências era do Santander. Dizia: você tem um crédito pré-aprovado de R$ 39.638,00 para fazer o que quiser, como comprar o presente de Dia das Mães. Ah sim, claro. Eu precisava desses 39 mil e cacetada pra comprar o presente da minha mãe. Mas como a correspondência só chegou hoje, deixei pra lá e ela dançou no presentão!
Mas voltando ao fato de o porteiro ter recusado me entregar as correspondências com medo de minha "doença", não parou por aí. Uma vizinha, junto de sua filha, pegou o elevador dos andares pares, mesmo morando em um andar ímpar! Tudo para não subir comigo. Beleza. Daqui a pouco vão fazer uma reunião de condomínio para discutir o caso do moleque que está com gripe suína no apartamento 701. Caramba, é só uma alergia. Não vai contagiar vocês!
Diz que nessa alergia só há contágio por via textual. Quem lê o texto de quem está com isso, pega também! Portanto, tomem cuidado!

OBS - Meu twitter: http://twitter.com/ricardocorrea

domingo, 12 de abril de 2009

Dando um oi pra galera!

É até difícil voltar a escrever depois de tanto tempo. Não sei por onde começar pois a impressão que tenho é que a vida na Green House trouxe várias novidades. Ao mesmo tempo, fico pensando o que interessa ao povo que sempre veio ao blog em busca de palhaçadas. Acho que minha vida tem menos palhaçada do que antes. Mas enfim, vamos ao que interessa.
Novidades verdes procês:
Tirei carteira de motorista enfim (ou devia falar carta já que os paulistas são maioria aqui no blog?). Não sei se lembram, acho que já contei aqui da vez que paguei a auto-escola e nunca fui. Pois é. Depois de meses passando do outro lado da rua de vergonha da mulher do atendimento daquela auto-escola (lá vai o louco que pagou e não fez as aulas), eu entrei em outra, vizinha daquela e concorrente.
Aliás, muitas histórias engraçadas na auto-escola... Primeiro nas aulas de legislação. Com todo respeito, acho que escolhi uma auto-escola meio ralézinha, pois meus colegas de sala eram, em geral, muito sofridos. Não sei se trabalhavam demais e faltava tempo pra pensar, ou o que era, mas o certo é que davam cada fora na aula que eu ficava constrangido. Lembro do dia, por exemplo, em que naquela aula sobre meio ambiente o rapazinho disse que era um absurdo quando as pessoas caminhando pela rua, comem um salgado qualquer ou bala e procuram um cantinho escondido pra jogar o papel no chão. E ele bradou: "Um absurdo", enquanto todos gesticulavam com a cabeça concordando, inclusive eu. Mas aí ele continua: "Tem que jogar no meio do passeio, ou na rua, num lugar visível que é mais fácil de varrer depois". Essa é daquelas histórias que só acredita quem viveu. Eu sei disso. Foram várias do tipo por lá...
Passado o exame de legislação vieram as aulas práticas. Num Paliozinho vermelho em princípio, lá fui eu fazer minhas aulas feliz da vida. Certa vez, o instrutor, levemente picareta diga-se de passagem, fez eu treinar baliza na frente da garagem de uma casa. Um senhor, dono da casa, não se contentou: "Mas que absurdo, fazendo baliza na frente da garagem dos outros", e começou a brigar com o instrutor. Imagine só a cena. Depois de muito custo, afinal fazer baliza naquela situação não era a melhor coisa do mundo, saímos. Quando havíamos chegado ao lugar, antes do velhinho aparecer, sua empregada estava a limpar o portão da casa com uma escova de dentes. E o instrutor não acreditava: "que paciência limpar um portão com escova de dentes". Após o chilique do velhinho eu comentei: "tá explicado o motivo dela limpar com escova de dentes. O patrão dela é insuportável".
E eis que após uma volta no quarteirão o instrutor me surpreende. "Vai lá! Outra baliza na frente do portão do véio". Levei na brincadeira e ri, mas ele não se rendeu: "Vai lá rapaz. Tenha medo não". E lá fui eu fazer outra baliza enquanto ele gesticulava da janela e o velhinho do portão. Trocaram farpas até que o mau caráter usou meu comentário pra atacar o velhinho: "Deixa de ser chato véio, fica aí obrigando sua empregada a limpar o portão com escova de dentes. Isso é escravidão. Olha aí a cara da coitada. Tá sofrendo. Eu se fosse ela ia no ministério do Trabalho denunciar o senhor". E eu já rindo no volante, perdendo as forças e não conseguindo fazer baliza nenhuma. Errei tudo e o instrutor disse ter feito de propósito para ver se eu fico nervoso. Disse que era um teste. Nervoso não. Eu tava era passando mal de rir no volante. Se o exame fosse engraçado eu não passaria.
O resto não teve nada de engraçado. O safado do instrutor atrasou no dia do exame. Levei bomba. Fiquei puto, fui para outra auto-escola, passei no segundo exame, mesmo sendo chamado de lerdo pelo examinador. 
Após passar no exame, entrei de férias. Comprei o carro (Peugeot Passion), viajei, voltei, peguei o carro e já andei 450km em 6 ou 7 dias. Alguém me segure!
Tô de férias. Loongas férias, até o dia 18 de maio. Se alguém quiser fazer alguma coisa ou precisar de uma visita me avise. :)
Ok, depois conto histórias engraçadas. Só escrevi pois achei que o blog estava abandonado.
Aliás, por falar em blog, eu tenho um blog sério também, pra quem gosta de Fórmula 1.
blogs.otempo.com.br/peembaixo 
Quem quiser acessar será um prazer recebê-los lá.
Beijos pras moças.
Abraços pros caras.

sábado, 20 de setembro de 2008

Vivo!

Estou vivo! Antes de mais nada preciso deixar isso claro. Afinal, foram quase cinco meses de jejum no green blog. E não tenho nem argumentos para explicar meu sumiço repentino. Para piorar, não tenho graaandes novidades em minha volta. A vida continua igualzinha na green house. Talvez apenas com menos fios, já que troquei me
u desktop por um laptop. Exceto isso, continuo com acessórios verdes, esquecendo roupa molhada na máquina, utilizando gavetas para esconder a bagunça em casos de emergência... Enfim, está tudo como dantes por aqui.
Continuo criando teorias para tentar salvar a humanidade do caos, do sofrimento, dos dramas modernos. Assim, fiquei em dúvida sobre como recomeçar o blog. Tinha a dúvida entre dois temas: voltar à salada, que encerrou a fase anterior, ou meus dramas fora da green house, no trânsito moderno. Enquanto escrevo essa frase mudei de idéia duas vezes sobre o que escrever. Mas acho que vou no trânsito primeiro, só pra variar. A salada volta no próximo episódio.
Então agora é oficial. Resolvi reiniciar a saga da minha vida contando um drama diário que vivo fora da green house. E é até um tema recorrente nas principais discussões da mídia: o trânsito. Mais uma vez, para isso, preciso recorrer ao meu desenho predileto
 na infância, e cujo link já postei aqui no blog. O "pateta no trânsito" é diversão obrigatória para quem sofre as agruras do dia a dia no asfalto de nossas cidades. Eis o link: http://br.youtube.com/watch?v=RMZ3bsrtJZ0
Não sou um pateta no trânsito, até porque não sou um entusiasta do automóvel principalmente em uma cidade onde ele é atualmente o principal problema. Só dirijo nas pistas (desde o último domingo posso dizer isso, afinal estreei no kart, coisa que queria fazer desde a infância).

Inclusive o kart merece um parágrafo próprio. Minha estréia não foi das melhores, mas estou otimista para o meu futuro na modalidade. Em karts que chegam a 100km/h na reta, acabei fazendo boas voltas... mas acabei me sentindo um Nigel Mansel, com arrojo mas ficando pelo caminho nos momentos principais. Após sair da pista na volta de apresentação, rodar quatro vezes durante a prova e jogar a única mulher da corrida para fora da pista, acabei escapando na penúltima curva da penúltima volta e me espatifando na barreira de pneus, após rasgar o asfalto, a terra e a grama do kartódromo internacional de Betim. Resultado: fiquei em último. 
Mas saí feliz. E acho até que meu desempenho foi excelente, com várias ultrapassagens, principalmente para alguém que sequer tem carteira de motorista (agora estou tirando. rs). Quem me conhece sabe da história da auto-escola, que eu paguei mas nunca fui lá. Até hoje o pessoal da auto-escola "Liderança" deve achar que eu morri, fui preso ou algo do tipo... E depois de meses fiquei sem coragem de ir lá mesmo. Em novembro faz dois anos que paguei tudo e não retornei até a auto-escola. Agora minha nova auto-escola é exatamente do lado da "Liderança".
Mas voltando ao trânsito fora das pistas. Como não ando de carro, acabo trabalhando com todas as outras opções que Belo Horizonte me oferece: taxi, ônibus e metrô. Com vantagens e desvantagens para cada uma delas.
No caso do taxi, que a cada dia uso mais, a desvantagem óbvia é o preço. Pago 30 reais por viagem até o trabalho. Mas vou confortável, tranqüilo e nunca me arrependo. Principalmente depois que o jornal que eu trabalho divulgou matéria mostrando que andar de taxi é mais barato que ter carro. E os taxistas me divertem também. Eles sempre têm uns papos engraçados, umas histórias ótimas e uma concepção de mundo diferente dos outros seres humanos. Uma coisa que me intriga é o fato de eles acharem que só eles têm motivo para estarem no trânsito. O raciocínio do taxista é de que ele está trabalhando e que os outros estão passeando. Não passa pela cabeça dele que as outras pessoas estão indo para o trabalho, buscando filhos na escola, enfim, fazendo outras tarefas úteis, que não simples passeios pelas ruas da cidade.
Para minimizar a culpa por pegar taxis tão caros desenvolvi uma estratégia infalível. E mais uma vez recorro ao Wal Mart, supermercado que fica em frente ao local no qual trabalho e que representa 90% das minhas compras diárias. Minha estratégia é ir ao Wal Mart comprar alguma coisa sempre que estou cansado. Aí saio de lá com umas sacolinhas e já me sinto suficientemente no direito de descer de taxi. E sempre penso: ah, finge que as contas custaram 30 a mais... Assim vou quase sem culpa, quase todo dia.
Ultimamente, como estou trabalhando até bem tarde, tenho usado o táxi todos o dias. Tem ficado caro, mas o metrô, que até pouco tempo era meu meio de transporte predileto, tem ficado inviável. Aliás, tem duas coisas que me incomodam no metrô de Belo Horizonte. Uma é que ele te leva do nada ao lugar nenhum. As coisas mais importantes da cidade estão fora da rota do metrô. Por sorte, o jornal fica localizado bem perto do nada. E eu moro bem perto do lugar nenhum.
A segunda coisa que me incomoda no metrô é a falta de educação da maioria dos cidadãos na hora em que eu preciso descer daquele veículo. Tem uma porcaria de um adesivo na porta que diz: "deixe sair antes de entrar". Mas quando vou tentar sair, na estação Central, sempre tem alguém entrando, me empurrando para dentro de volta, com sacolas enormes, e arrastando crianças berrando nas duas mãos. É sempre um momento de tensão. Mas tirando isso, tudo bem. 
Ah, também me incomoda o fato de a lanchonete do metrô não fornecer guardanapo, com a desculpa de que é norma para que não se suje os trens. Os educados pagam pelos mal educados né...
Para subir para o jornal ainda é comum eu utilizar a opção ônibus. Mas também não é muito fácil. Primeiro pois o asfalto de Belo Horizonte é muito ondulado e andar de ônibus, principalmente nos bancos da metade do veículo para trás é como se equilibrar em um touro. Nunca me equilibrei em um touro, mas não imagino que seja muito mais difícil. Para piorar, tenho impressão de que os ônibus daqui são mal parafusados... Então fica aquele barulho de "nheco nheco nheco" durante toda a viagem. Sem um fone de ouvido e um mp3, ou sem o rádio ligada na CBN fica muito complicado.
Outra coisa fantástica é andar nesses microônibus que existem por aqui. Ou nos chamados "micrões", que são um meio termo entre o micro e o ônibus normal. Eles não possuem cobrador (ou trocador, como se diz lá em Juiz de Fora). Sendo assim, é o próprio motorista quem recebe o dinheiro. E o mais engraçado (na verdade seria cômico se não fosse trágico) é que eles cismam em receber o dinheiro com o ônibus em movimento. Ele olha para trás para te dar o troco e até gira o volante sem querer quando faz isso... Eu até preocupo-me em ter o dinheiro trocado para ter um risco a menos na viagem...
Mas tudo isso, e mais um pouco, me fez decidir por, enfim, tirar carteira de motorista e comprar um veículo. Comecei minhas aulas de auto-escola, que têm sido muito engraçadas. Serão as aulas de auto-escola que vão me dar muito motivo para escrever no blog. Mas como o texto já está loooongo e cansativo principalmente para quem tem meses que não vem até aqui, vou deixar para o próximo post a primeira história. 
Hoje o texto nem foi engraçado, mas serviu para atualizá-los. Para acompanharem minha volta passo a passo, cadastrem-se no blog e recebam notícias quando ele for atualizado. É só preencher o formulário na barra da direita. 

PS1: Esse texto é dedicado à Juliana F. e às várias outras pessoas que me incentivaram a retomar o blog. 
PS2: Esse post tem um apoio da operadora "Vivo".